Sinto muito se você chegou aqui após perder o emprego. Sei como a incerteza pesa no dia a dia. Este guia nasce para aliviar essa tensão com passos claros.
Vamos explicar de forma prática quem pode solicitar o seguro-desemprego, quais regras valem hoje e como evitar erros ao pedir o benefício. O texto mostra, passo a passo, elegibilidade, tempo mínimo de trabalho por solicitação, prazos e documentos.
Também indicamos como usar gov.br, Emprega Brasil e a CTPS Digital, além de como calcular valores previstos para 2025. Haverá checklists e orientações para reduzir a chance de negativa por inconsistência.
A Lei nº 13.134/2015 mudou critérios, principalmente para a primeira e segunda solicitação, e aqui você entenderá esses impactos. O conteúdo é útil para quem foi demitido recentemente, quem se prepara para um desligamento ou quem deseja conferir regras antes de pedir.
Este material organiza informações e prazos, mas não substitui orientação jurídica. Se precisar, procure suporte profissional.
O que é o seguro-desemprego e quando ele se aplica
Após o desligamento, existe um mecanismo público para ajudar na transição financeira. O seguro-desemprego é pago pelo governo federal como suporte temporário a quem perdeu o emprego e busca recolocação.
O benefício não substitui integralmente o salário. Ele cobre despesas por um período limitado, enquanto a pessoa procura nova vaga ou participa de cursos de qualificação.
Em geral, aplica-se quando há dispensa sem justa causa e o trabalhador cumpre requisitos como tempo mínimo de vínculo e ausência de renda suficiente. Regras mudam conforme o histórico de solicitações e tipo de vínculo.
- Categorias contempladas: empregado doméstico, pescador artesanal no defeso e trabalhador resgatado de condições análogas à escravidão.
- O valor e a duração variam; por isso é importante planejar despesas e confirmar documentos antes de pedir o benefício.
Nas próximas seções veremos requisitos, prazos e o passo a passo para solicitar pelo gov.br, Emprega Brasil e CTPS Digital, além de como resolver pendências que podem travar o pedido.
Quem tem direito ao seguro-desemprego
Veja claramente quais grupos têm acesso ao pagamento e quais condições devem ser atendidas.
O principal público são trabalhadores com carteira assinada demitidos sem justa causa, inclusive empregados domésticos. Ter registro em carteira facilita a comprovação, mas não garante o benefício sozinho.
- Trabalhadores formais (CLT) dispensados sem justa causa.
- Pescador artesanal durante o período de defeso.
- Trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão.
Para ter direito é preciso não dispor de renda própria que sustente o núcleo familiar. Se houver outra fonte de renda considerada suficiente, o pedido pode ser indeferido.
O benefício não pode ser acumulado com certos benefícios da previdência social, como aposentadoria e auxílio-doença. Existem exceções: auxílio-acidente e pensão por morte, que podem ser somados.
Antes de avançar para cálculo e prazos, faça um auto-check: tem registro em carteira? Foi dispensado sem justa causa? Não recebe aposentadoria nem outra renda que supere a necessidade? Se a resposta for sim, siga para os próximos passos.
Requisitos atuais de tempo de trabalho e vínculo formal
Saber contar os meses com vínculo formal evita surpresas na hora do pedido. O requisito central exige comprovar tempo mínimo de trabalho com carteira assinada, e esse prazo muda conforme o número de solicitações.
- Primeira solicitação: 12 meses registrados nos últimos 18 meses, segundo a lei.
- Segunda solicitação: 9 meses nos últimos 12 meses.
- A partir da terceira: 6 meses nos últimos 6 meses.
Para conferir seu histórico, some os períodos registrados em carteira dentro da janela indicada. Verifique folhas, contracheques e a CTPS digital para confirmar admissão e demissão.
Exemplo prático: se a demissão ocorreu em março de 2025, conte os meses trabalhados a partir de outubro/2023 para uma primeira solicitação. Se houver intervalos, some apenas os meses efetivos com registro.
Fique atento ao contrato trabalho e às datas de admissão/demissão. Divergências nesses dados ou na rescisão contrato podem travar a análise, mesmo quando o tempo requerido foi cumprido. Na próxima seção vamos explicar como o tipo de desligamento influencia a elegibilidade.
Demissão, justa causa e pedido de demissão: o que muda no direito ao benefício
Nem toda demissão garante acesso ao benefício. A demissão sem justa causa é o cenário em que a pessoa costuma ter acesso. Já a dispensa por justa causa, em regra, elimina esse acesso por se tratar de falha atribuída ao trabalhador.
Quem pede demissão normalmente não recebe. O entendimento é que houve escolha voluntária pela saída, o que afasta a condição de desligamento involuntário. Existe, porém, a rescisão indireta: quando a empresa comete falta grave e a Justiça equipara a situação à dispensa sem justa causa.
- Atrasos frequentes ou falta de pagamento.
- Assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho.
- Falta de equipamentos de proteção e risco à segurança.
- Redução salarial ou descumprimento de contrato.
Formatos de acordo ou termos de rescisão podem confundir. Verifique sempre o motivo anotado na rescisão e, se houver suspeita de rescisão indireta, procure sindicato ou advogado antes de assinar documentos.
Quando o seguro-desemprego pode ser negado mesmo com carteira assinada
A presença de vínculo formal não elimina checagens que podem barrar o pagamento. Ter carteira assinada ajuda na comprovação, mas o pedido depende do conjunto de requisitos.
Motivos comuns de negativa incluem demissão por justa causa ou pedido de saída, existência de renda que sustente o núcleo familiar e acúmulo proibido com benefícios do INSS. Algumas exceções, como auxílio-acidente e pensão por morte, são permitidas.
- Renda declarada ou comprovada que funcione como sustento pode impedir o benefício.
- Vínculo ativo, CNPJ com movimentação ou trabalho informal pode ser interpretado como renda.
- Dados divergentes entre CTPS, empresa e sistemas oficiais atrasam ou geram indeferimento.
Se identificar o motivo, corrija cadastros, reúna contracheques e comprovantes de renda. Acompanhe o status nos canais oficiais e recorra com documentos. Agir cedo reduz o risco de perder parcelas e ficar com menos prestações.
Prazos para dar entrada no seguro-desemprego e evitar perda do direito
Conhecer os prazos para pedir o benefício evita perder parcelas por descuido.
O prazo oficial para dar entrada é de 7 a 120 dias após a demissão. Isso significa que o requerente deve iniciar o pedido dentro desse período para não perder o benefício.
Crie um “marco zero” com duas datas: a data de desligamento registrada e a data em que a empresa emitiu o requerimento. Assim você evita confusão na contagem do período.
- Não espere: quanto antes der entrada, mais rápida a análise e o pagamento.
- Ultrapassar 120 dias significa perda do benefício; isso costuma ocorrer por falta de documentos ou acesso ao requerimento.
- Organize TRCT, termo de rescisão, extratos e valide informações na CTPS Digital.
Mini-roteiro pós-demissão: guarde rescisão, protocolo da empresa e comprovantes. Verifique dados no sistema e acompanhe o pedido.
A próxima seção mostra o passo a passo para dar entrada seguro-desemprego pelo gov.br, Emprega Brasil e CTPS Digital. Assim você cumpre o prazo sem depender de filas presenciais.
Como dar entrada no seguro-desemprego pelo gov.br, Emprega Brasil e CTPS Digital
Para iniciar o pedido online, você precisa da conta gov.br ativa e do CPF em mãos.
Entre no site gov.br e faça login com CPF e senha. Na busca, digite “seguro-desemprego” e escolha “Solicitar o Seguro-Desemprego (SD)”. Clique em “Iniciar” para ser levado ao Portal Emprega Brasil.
No Emprega Brasil, acesse o menu “Seguro-Desemprego”. Há duas opções: solicitar com número do requerimento ou escolher a versão para empregado doméstico. Na opção doméstico, informe o CPF do empregador e as datas de admissão e demissão.
Antes de confirmar, confira todos os dados exibidos: datas, motivo de desligamento e vínculos. Corrija divergências para não travar o processo.
- Use a CTPS Digital como aplicativo de apoio para checar vínculos e acompanhar o andamento.
- Mantenha a conta gov.br atualizada e configure recuperação de senha.
- Guarde comprovantes e verifique se a pessoa responsável pela empresa registrou a rescisão corretamente.
Ao final, confirme o envio e acompanhe o resultado pelo aplicativo ou portal do governo.
Documentos e dados necessários para solicitar o benefício sem travar o pedido
Reunir os documentos certos evita bloqueios no momento de entregar o pedido. Comece por identidade com foto e CPF; eles confirmam quem solicita e evitam divergências cadastrais.
Tenha em mãos a carteira de trabalho (física ou digital). A carteira valida vínculos, salários e datas do contrato trabalho, reduzindo inconsistências entre sistemas.
Guarde o termo de rescisão contrato (TRCT) e o requerimento fornecido pela empresa. O requerimento é peça-chave para iniciar o procedimento padrão e traz o número necessário para acompanhar o processo.
- Comprovante de saque do FGTS ou extrato do vínculo — mostra movimentações e confirma datas.
- Documentos pessoais — identificação, comprovante de residência e comprovantes de rendimento se houverem dúvidas sobre benefícios.
- Contracheques e recibos — servem para comprovar salários quando houver divergência.
Erros comuns que travam o processo: nome ou CPF divergente, falta do número do requerimento, datas inconsistentes e motivo de rescisão anotado de forma incorreta.
Organize TRCT, extratos e carteira para poder responder rápido a exigências. O conjunto documental comprova o direito e acelera a liberação das parcelas.
Valor do seguro-desemprego: como calcular e quais são os limites em 2025
Entender como o valor é calculado ajuda a prever quanto será recebido a cada parcela.
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Passo a passo do cálculo:
- Some os três últimos salários recebidos.
- Divida essa soma por três para obter a média salarial.
- Aplicar a tabela oficial de 2025 conforme a faixa da média.
Limites de 2025: o piso não pode ficar abaixo do salário mínimo (R$ 1.518) e o teto do benefício é R$ 2.424,11.
Tabela e fórmulas resumidas:
- Média até R$ 2.138,76: paga 80% da média.
- Média de R$ 2.138,77 a R$ 3.564,96: paga R$ 1.711,01 + 50% do que exceder R$ 2.138,77.
- Média acima de R$ 3.564,96: recebe o teto (R$ 2.424,11).
Exemplos rápidos: média de R$ 1.800 → 80% = R$ 1.440. Média de R$ 2.500 → R$ 1.711,01 + 50% de R$ 361,23 ≈ R$ 1.891. Média alta recebe o teto.
O que muda entre pessoas é a média salarial, não o tipo de trabalho. Valor e quantidade de parcelas são aspectos distintos; ambos serão tratados na seção seguinte.
Parcelas, duração do benefício e casos de contrato temporário
A quantidade de parcelas depende do histórico de vínculos e do número de solicitações anteriores.
Em geral, as prestações variam entre 3 e 5 parcelas conforme o tempo trabalhado e a solicitação:
- 1ª solicitação: 4 a 5 parcelas (atingindo 5 quando há 24 meses ou mais de vínculo).
- 2ª solicitação: 3 a 5 parcelas.
- 3ª solicitação em diante: 3 a 5 parcelas.
Existem exceções: pescador artesanal no defeso e trabalhador resgatado podem receber até 7 parcelas. Essas situações seguem regras específicas da legislação.
Contrato temporário NÃO gera pagamento quando termina naturalmente, pois não há demissão involuntária. Se a pessoa já recebe e aceita trabalho temporário, o pagamento fica suspenso durante o período e pode ser retomado depois, caso o desligamento não seja por justa causa nem por pedido.
Contratos por prazo determinado (como experiência) podem dar parcela se houver rescisão antecipada sem justa causa. Guarde TRCT e documentos que comprovem datas e motivo da demissão para evitar bloqueio na retomada das prestações.
Para não perder benefícios: checklist final de regras e próximos passos após a demissão
Antes de encerrar o processo, cheque itens essenciais que evitam perda do benefício.
Checklist rápido: confirme que a demissão foi sem justa causa; verifique o tempo mínimo conforme a Lei nº 13.134/2015; confirme ausência de renda impeditiva e evite acumular benefícios vedados pelo INSS.
Prazos: inicie o pedido entre 7 e 120 dias após a demissão. Separe TRCT e o requerimento, confira vínculos na CTPS Digital e acompanhe tudo pelo gov.br ou Emprega Brasil.
Se houver problema, revise dados, compare datas com a carteira, guarde protocolos e busque orientação no SINE ou unidades de atendimento. Aceitar novo emprego formal pode suspender o pagamento; confirme o status antes de assinar contrato.
Principais causas de perda do direito: prazo vencido, motivo de rescisão inadequado e inconsistência de dados. Evite cada ponto mantendo documentos organizados e conferindo informações antes do envio.
